A Violência contra a Mulher – Os dois Universos do Medo

Compatilhar 05/01/2011 por admin Envie seu artigo! Clique aqui!

Desde os tempos mais remotos que a mulher é discriminada perante a sociedade e até por seu próprio parceiro.
A violência contra ela  encontra “justificativa” em normas sociais baseadas nas relações de gênero, ou seja, em regras que reforçam uma valorização diferenciada para os papéis masculino e feminino.

O que muda de país para país são as razões alegadas para aprovar esse tipo de violência. Diversos estudos realizados na década de 90 revelaram, por exemplo, que no Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Venezuela, Israel e Cingapura é comum que a violência seja aprovada quando ocorre a infidelidade feminina; já no Egito, Nicarágua e Nova Zelândia, a mulher deve ser punida quando não cuida da casa e dos filhos; a recusa da mulher em ter relações sexuais é motivo de violência nesses países e também em Gana e Israel. Por fim, a desobediência de uma mulher ao seu marido justifica a violência em países como Egito, Índia
Mas tirando  esses aspectos culturais porque a mulher se deixa humilhar, apanhar sem reagir ?
Dizem os especialistas que o problema é muito mais de foro íntimo do que físico propriamente dito.
Elas acabam se calando por medo, vergonha ou até mesmo por  dependência financeira.
Por isso, justificável seria ter uma profissão antes de ter uma família própria porque a dependência do outro já diminuiria.
Mas certamente, o conjunto de opressões internas é a motivação para que externamente a mulher se sinta inibida a denunciar os maus tratos.
É necessário que ela tome consciência desses medos para se sentir forte a lutar contra  o agressor.
Ninguem gosta de apanhar e é inconcebível que alguém fique apanhando sem reclamar.

Hoje com a proteção da lei chamada Maria da Penha já se tem melhores mecanismos de proteção à mulher agredida, humilhada, física, moral, ou sexualmente por isso basta que ela se dirija a delegacia da mulher e perca o medo de falar porque é a inércia de agir que tolhe a verdadeira liberdade.
E essa  liberdade antes de ser externa, começa internamente, com a suplantação dos medos de denunciar, da superação da vergonha, e da humilhação.
Suplantando esses medos internos, aflorará a verdadeira coragem vindo da liberdade de viver com respeito e dignidade que toda mulher merece.

Autora Maria Alice Azevedo Marques



Direitos da Mulher